De Toronto a Vancouver

Desafios de uma viajante principiante

E em Toronto foi assim. No aeroporto internacional da cidade, eu verdadeiramente desembarcaria em um novo mundo, talvez até uma nova vida.

Segui o fluxo, passei pela imigração tranquilamente, mas ao desembarcar fui informada que teria que fazer o check-in da bagagem para o vôo que me levaria até meu destino final, Vancouver.

Problemas de comunicação

Mal falava inglês, embora entendia muita coisa que eles me falavam. A viagem havia sido bem longa, mas ainda teria que percorrer quase a extensão territorial do país todo para ir de Toronto a Vancouver. Não entendia muito bem os procedimentos de uma viagem internacional e quando não havia ninguém mais para seguir, confesso que entrei em pânico. Eu tinha 18 anos de idade, sozinha, e não soube o que fazer quando me deparei com  situação de não ter o cartão de embarque para o próximo vôo. Como todo viajante de primeira viagem, eu estava carregando malas pesadíssimas que mesmo com o carrinho do aeroporto me causavam dificuldades para locomoção.

O primeiro passo segui corretamente, fui e peguei as malas. Como havia mudado o fuso horário, não tinha a menor ideia de que horas eram e, ainda, tinha a nítida impressão que, devido a minha demora para realizar os procedimentos necessários para continuar a viagem, eu havia perdido o vôo. Nessa hora, o desespero só ia aumentando conforme os minutos do relógio corriam. Procurei, desesperadamente, o balcão de embarque da companhia aérea para perguntar qual seria o meu próximo passo, pois me lembro que alguém havia me falado que eu não tinha o cartão de embarque e que precisaria desse documento para embarcar. Mas como conseguir outro documento? Essa dúvida me desesperava mais e mais enquanto o tempo passava.

Completo desespero

Encontrei o balcão e com muito custo consegui que a atendente entedesse vagamente o meu problema. Ela me falou várias coisas, mas tudo o que eu entendi é que teria que ir a um outro lugar no aeroporto para reemitir o cartão de embarque. Nessa hora, eu sai de lá quase chorando porque ela não me acompanhou e teria que chegar ao local determinado. Parei um casal no meio do aeroporto e quase chorando pedi para eles me ajudarem. No auge do desespero ficava mais difícil me expressar em inglês e, muito mais, entender o que eles estavam tentando me falar, mas eles finalmente me compreenderam.

Eles me acompanharam até o balcão da companhia, explicaram o meu problema e tudo foi resolvido em questão de segundos. Foi impressionante. Nessa hora, já estava pensando o que faria, pois acreditava que havia perdido o vôo. Agradeci, agarrei meu cartão de embarque com vontade, corri despachar a mala e tentar achar o portão de embarque. Tudo isso sem ficar perguntando muitas coisas para não demorar mais e, sabe lá, perder o vôo por vacilo.

 

Fim do martírio

Ao final, a supresa foi grande pois cheguei ao famigerado portão ainda com boas poucas horas de antecedência do vôo. Nem pude acreditar. Minutos antes, eu  parecia uma criança sozinha desesperada, tentando chamar a mãe, mas nessa hora eu finalmente pude relaxar e seguir viagem sem grandes aborrecimentos. Não sabia que o melhor ainda estava por vir no meu primeiro desembarque intercional de fato, afinal, havia passado quase um dia todo de país a país e de aeroporto a aeroporto. O que eu mais queria era poder ter o direito de pisar em solo estrangeiro, respirar fundo e ter a satisfação de dizer, venci.


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