Missões na Coréia do Norte – O que o missionário Assis Brasil revela sobre o país mais fechado do mundo

Assis Brasil é um missionário nato. Mora em Curitiba, PR, é pai de três filhos, Tâmila, Hadassa, Efraim e marido da Lalá, Alaíde Brasil, além de levar uma vida dedicada a obra missionária do Senhor Jesus. Líder da organização missionária, Global Fire, pastor na Igreja Cristã Viva, ele nos conta como desenvolve o trabalho missionário no país e nas diversas nações as quais jamais pensaria em visitar, a exemplo da Coréia do Norte, o país mais fechado do mundo.

Como começou a Global Fire?

Para construir a plataforma eu comecei fazendo uma escola de missões chamada EPOL, uma escola para preparação de líderes na Jocum. Nesta escola, somos desafiados a desenvolver um projeto de acordo com o propósito de Deus na nossa vida para um período mínimo de 10 anos. Dentro disso, o Senhor nos deu a visão da Global. Ele nos deu uma visão para formarmos líderes e empreendedores com uma vida de íntima de devoção e dedicados totalmente ao ide aos povos não alcançados. Essa é a missão da Global Fire.

Com quais causas vocês trabalham e como desenvolvem esse trabalho?

Depende do momento. Em alguns períodos temos intervenções específicas, mas trabalhamos muito com treinamento, com o exercício da devoção, ou seja, o desenvolvimento de uma vida de oração. A base principal é tentar discernir com clareza o que o Espírito Santo está falando para um determinado momento. Se o Senhor fala, faça uma escola, a gente faz uma escola. Se ele disser não faça, não fazemos, mesmo que esteja programado. A ideia é que o programa esteja totalmente sujeito a orientação de Deus. Em alguns momentos, vivemos com muita intensidade, e em outros ficamos isolados. Neste ano, nos dedicamos a tempo de oração. Já no ano passado, fizemos duas escolas, construímos uma casa na favela, eu fui para cinco países e muitas outras coisas menores também aconteceram além destas.

Como descobriu e como se desenvolveu seu chamado missionário?

Da parte de Deus para mim, ou seja, quando eu fiquei sabendo foi com 4 anos de idade, quando eu tive minha primeira experiência com Deus em uma vigília no meio de uma plantação de pinhos. Naquele lugar, o Senhor me falou pela primeira vez que Ele havia me levantado para ser um adorador para as nações. Quando eu contei isso para minha mãe, ela falou que durante o parto, ela teve uma visão e Deus lhe falou que eu estava nascendo como um discípulo de Jesus, que ele levaria para as nações.  Mas só fui entender tudo isso efetivamente quando eu completei 13 anos e me converti a Jesus. A partir daquele momento, eu comecei a me considerar um missionário. Então, tudo o que eu fazia na minha vida era em função de meu chamado. Por isso, eu nunca tive a pretensão de buscar nenhuma profissão ou fazer nenhuma outra coisa que estivesse desvinculada desse desejo missionário de cumprir o que Deus estava me falando.

Qual foi sua primeira viagem missionária?

A primeira nação que eu visitei foi o Paraguai e muitas coisas me marcaram por lá. O que mais me chamou atenção foi a intensidade da movimentação do Espírito Santo por lá. Os dons, os sinais e os milagres. Quando você está no campo, é muito forte a maneira como Deus honra a palavra dEle. A segunda coisa foi a fome das pessoas por palavra. Você imagina que sempre vai sofrer uma resistência ao evangelho, mas eu não vi isso em nenhum lugar que eu estive. Nem em países extremamente fechados. Sempre houve uma receptividade muita positiva e uma fome que eu creio que é sobrenatural.

Quais os testemunhos que você vivenciou no campo missionário?

Eu tive muitas experiências com libertação de pessoas endemoniadas na rua. Uma vez numa praça, muitos estavam tentando expulsar o demônio de uma menina e não conseguiam. Eu cheguei e só disse para o demônio sair e ele saiu.

Nós também tentamos evangelizar um senhor e ele disse que era cristão de uma determinada igreja. Na hora, o Espírito de Deus revelou que ele era um alcoólatra e, imediatamente, eu lhe perguntei se ele tinha problema com álcool. Ele negou completamente. Logo após sua resposta, o Senhor me revelou que ele carregava um litro de pinga debaixo do paletó. Eu insisti na pergunta, mas ele também insistia em negar. Ao final, o desafiei e disse que se tivesse um litro de pinga debaixo do paletó dele, eu iria orar para o Senhor queimar aquilo. Ele concordou e quando eu comecei a orar, ele saiu pulado e jogou a pinga no chão gritando que estava queimando.

Já em Belo Horizonte a pedido de um pastor de uma igreja que estávamos visitando fomos visitar irmãos afastados da igreja. Entre eles, havia uma senhora que morava num lugar bem distante que estava com uma ferida na perna. Ela explicou que não estava indo devido às más condições das ruas que, na verdade, eram carreiras de barro. Quando me mostrou a situação da perna, ela relatou que a ferida mudava de uma perna para a outra, e quando saia ia para a filha dela. Então, eu entendi que era um espírito de enfermidade. A orientação que o Senhor deu na hora é que nós cantássemos. Na época, começamos a cantar uma canção do Diante do Trono que fala sobre Oséias e diz que há esperança para o ferido. Quando começamos a cantar, a glória de Deus veio na casa de uma maneira tão intensa e a ferida da mulher desapareceu instantaneamente.

Num congresso de casais, Deus falou para minha esposa e eu ungirmos todas as cadeiras do recinto. Nos levantamos às 5 da manhã e ungimos as 400 cadeiras e o Senhor falou que ia fazer um milagre naquele lugar. Começamos o louvor, mas não falamos isso para ninguém. No meio da adoração, através de um louvor de Michael W. Smith, bem no meio da música um senhor levantou e foi curado de paralisia depois de 55 anos enfermo. O mais engraçado é que Deus nos mandou ungir todas as cadeiras, mas a cadeira que ele estava não havia sido ungida porque ele estava na cadeira de rodas deles. No final, acabei entendendo que Deus estava santificando o lugar para fazer o que Ele ia fazer. Foi maravilhoso!

Como conseguiu entrar na Coréia do Norte como missionário?

As pessoas sempre me perguntam como eu consegui entrar na Coréia, mas eu entrei lá como missionário, levei minha Bíblia, meu violão, fizemos atos proféticos e,inclusive,eu orei pelo tradutor do embaixador dentro da Embaixada da Coréia, bem na sala dele. Na verdade, orei pela Coréia do Norte por 25 anos, mas nunca orei para ir lá. Não que eu não estivesse disposto, mas a gente sempre pensa que tudo isso é muito estratégico e específico,e que nunca vai acontecer com a gente. Essa oportunidade foi totalmente criada pelo Espírito de Deus. Entramos de uma maneira inédita, como pastores.

Quais foram os momentos mais marcantes que viveu enquanto esteve lá?

Alguns momentos me tocaram profundamente por lá e em um deles precisei tomar uma decisão muito difícil. Estávamos hospedados num hotel que fica na vila Olímpica da Coréia do Norte e a única maneira que encontrei para tentar ficar sozinho lá, já que eles nunca nos deixavam sozinhos, foi pedir para a guia para correr toda manhã. Ela permitiu, mas ela determinou uma quadra específica. O que eu não sabia era que o horário que eu saia para correr era o horário que todos os atletas também corriam.Quando eu sai para correr no primeiro dia, a guia estava na esquina, vestida socialmente, me esperando para ficar de olho aonde eu iria correr.Quando eu via as pessoas correndo tinha uma das poucas oportunidades de orar com mais intensidade. Num dos dias um grupo de 6 crianças, todas meninas, entre 6 a 7 anos estava correndo. A técnica estava marcando o tempo delas na esquina. Numa dessas voltas, uma das meninas ficou para trás porque não conseguiu acompanhar o ritmo da equipe. Nós estávamos na mesma direção que ela. Quando ela chegou e passou perto da treinadora, a treinadora estava com um pedaço de pau da grossura de um cabo de vassoura e começou bater muito na menina no meio da rua. Nosso senso de justiça próprio, nosso senso de cuidado se exacerbou. Eu estava junto com outro pastor amigo meu, mas nós sabíamos que se nós interferíssemos naquela situação, nenhum dos 4 que estava na equipe jamais sairia de lá e isso teria muitas consequências. Esse foi um momento decisivo.

A orientação que recebemos do Senhor na hora foi para não interferir. O pastor que estava comigo não conseguiu continuar correndo, ele voltou para o hotel e passou dias tristes. E eu fiquei acabado, mas eu consegui entender várias coisas que aconteciam no país através dessa situação. Todo mundo percebe que quando a Coréia do Norte está se apresentando que eles não cometem nenhum erro, são perfeitos, tudo fantástico. Mas tudo é feito na base do medo, da violência, eles apanham muito. Muitas crianças dos orfanatos que visitamos lá tinham marcas roxas no corpo, e isso mexe comigo até agora.

Fotos tiradas por Assis Brasil postadas nas páginas do Facebook da Global Fire e PWCW.

Como surgiu o convite para visitar a Coréia do Norte?

Na verdade, tem um pastor chamado Ivens que é apaixonado por lá. Ele estava tentando conexão com a Coréia faz algum tempo, mas ele não tinha auxílio de nenhuma igreja brasileira, ele estava sozinho e desanimado nisso. Meu encargo maior que eu recebi do Senhor é ativar coisas. Ativar projetos, propósitos e Deus me usa muito nesse sentido. Alguns amigos me falaram dele e eu pedi para que ele viesse conversar comigo. Ele veio até a minha casa e começamos a receber uma série de palavras proféticas, inclusive um dos irmãos que faz parte da nossa equipe de obreiros, Lucas Santos, tinha uma palavra para a Coréia do Norte.Resolvemos ouvir Deus e, tanto o Bispo Zezinho que nos acompanha em Curitiba quanto a nossa igreja entendeu que Deus estava nos enviando para lá. Em menos de um mês tivemos o milagre do recurso e conseguimos levantar o dinheiro das passagens.

Fomos convidados pela embaixada, pois o Ivens já tinha começado um relacionamento com a embaixada. Colocamos a condição de irmos, mas entrar lá como missionário e levar a Bíblia . Nesse sentido foi muito legal porque nunca ninguém tinha conseguido ir dessa maneira até onde eu sei. Nós ficamos com o nosso passaporte o tempo inteiro lá. Já vi uma entrevista com os repórteres de uma emissora de tevê brasileira influente que nem conseguiram ficar com os passaportes deles enquanto estavam no país e nós ficamos. Deixaram-nos os celulares, tivemos uma oportunidade de ficar sozinho nesse tempo de corrida e vimos a mão de Deus em várias situações por lá.

Quantos dias vocês ficaram na Coréia do Norte?

Nessa viagem, ficamos 3 dias em Pequim, na China para fazer algumas movimentações proféticas. Depois ficamos 7 dias na Coréia do Norte e viajamos pela Rússia por 9 dias, além de mais 15 dias só em Moscou. Nossa estratégia maior, além de criar um relacionamento na Coréia do Norte era fazer o caminho socialista chamado “o caminho da serpente vermelha” que é de Moscou até Pequim ao contrário. Inclusive esse cinturão da serpente é muito conhecido e detêm o maior lago de água doce do mundo, o Lago Baikal, e nós fomos para orar lá. Mas fizemos ao contrário. Ao invés de ir da cabeça para a cauda, a gente fez o caminho da cauda que começa em Pequim até a cabeça da serpente que termina em Moscou, em frente de um museu de guerra de Moscou. Na verdade, a gente nem sabia disso e ficou sabendo conforme o Senhor foi nos revelando. Os movimentos proféticos são coisas muito loucas de uma mente racional entender, mas é assim que o Senhor se movimenta de maneira profética.

Você moraria na Coréia do Norte?

Com certeza. Eu sempre costumo dizer que não tenha nada que eu não esteja disposto a dar para Deus. Qualquer coisa. Eu moraria em qualquer lugar do mundo que Deus mandasse, sem dúvida nenhuma. Não é fácil pensar nisso quando se pensa na família. É uma vida extremante complicada, principalmente, se você não estiver em Pyongyang. A cultura lá é bastante diferente. Se você que é estrangeiro sentir vontade de comprar um sorvete, não tem onde comprar, pois tudo é controlado pelo governo. Eles não têm um comércio como aqui com milhares de mercearias na esquina. Tem o mercado da cidade e todo mundo vai nesse mercado. É raro alguma barraca vendendo alguma coisa e tudo o que tem é do governo. O mercado, as barracas, as escolas, tudo é do governo. Outra coisa é que você não tem nenhuma comunicação com o mundo externo. Lá dentro você não sabe nada do que está acontecendo aqui fora. A Internet é só para as pessoas do governo, é uma intranet. Não tem internet para o cidadão comum. Na televisão tudo o que passa é do governo. Tem uma experiência que foi interessantíssima. A Coréia do Norte foi jogar contra um time internacional que não me lembro e o jogo foi 3×1 para o outro time. Eles passaram na televisão coreana só o gol da Coreia e disseram que a Coréia tinha ganhado de 1×0 para eles pensarem que o imperador é imbatível. Tudo o que acontece de errado é culpa dos Estados Unidos e eles têm uma raiva absurda de lá.

Assis Brasil é missionário em tempo integral. Caso queira contribuir e fazer parte dessa obra, entre em contato com ele através do site da Global Fire – https://globalfire.org.br, páginas do Facebook da Global Fire ou PWCW.


Dados bancários para contribuir para a Família Brasil – Banco Itaú – Ag. 8717 C/P 07559-5/500. Telefone para contato: (41) 99894-8928.


9 comentários sobre “Missões na Coréia do Norte – O que o missionário Assis Brasil revela sobre o país mais fechado do mundo

  1. Meu nome é Shirley, recebi ontem um áudio seu, sou intercessora e quero aqui agradecer a Deus pela sua vida pela visão que o Senhor lhe deu.
    Que Senhor venha abençoar ricamente a sua vida.
    Shirley Patrícia

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  2. É sublime trabalhar para o Senhor e com o Senhor da Seara!Como é maravilhoso saber que vidas estão sendo alcançadas para Cristo através desses homens corajosos!!Gostaria de fazer parte dessa missão linda.
    Estarei intercedendo ao Senhor para que continue sustentando esses missionários em todos os países onde forem enviados!!
    Parabéns à todos pela coragem de ir à um país tão desconhecido e amar aquelas almas tão preciosas para Deus😊😊😁

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  3. Paz de Jesus irmão Assis. Sou brasileira, atualmente no campo missionário em Angola. Bem entendo sua sentimentos com relação à Coréia. Pois aqui o governo também é socialista, não tão fechado e radical. Mas opressor em relação à qualidade de vida, educação e saúde. Parece que as pessoas passam por uma lavagem cerebral, onde são incapazes de lutar por seus direitos básicos. Tudo aceitam, vivem uma vida bem miserável, enquanto que os do governo extremamente ricos. E nenhuma manifestação é feita. O mais triste é a prisão tradicional em que vivem, de forma que por mais que frequentam aos cultos Cristãos, não são verdadeiramente convertidos à Cristo. Vivem a dualidade do paganismo x cristianismo. Vivemos um choque cultural bem complicado, onde as tradições falam mais alto que a renúncia. Que Deus esteja te fortalecendo nestas jornadas missionárias e também te dando as estratégias espirituais para vencer onde pisares a planta de sua pés. Amém

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